Meu nome é Luiz Franco Thomaz. Nasci em Santos – SP, em 5 de Abril de 1946. Parece que foi ontem!

Sou caiçara do morro da Juréia de sangue luso-italiano, criado por tupis guaranis do rio do Azeite que corta a pequena cidade de Itariri. Sou o número mil de uma mistura racial interessante e curiosa. Comecei na percussão ainda menino, tocando o sino da igreja e chamando o povo para a missa.

Meu primeiro contato com as baquetas, porém, deu-se aos meus sete anos, tocando repique na fanfarra do colégio. Com onze era o responsável por tocar caixa na banda musical do Seminário em São Vicente, onde estudei interno por dois anos. Aos quatorze me tornei músico profissional. Entrei para a Orquestra Tropical tocando bongô. Estava a um passo da bateria e não deu outra. Meu primeiro emprego: baterista de banda de baile.

Mudei pra Sampa para prosseguir meus estudos. Larguei a orquestra. Contudo, não abandonei a esperança de me tornar músico e sobreviver do ofício. Tanto que quando soube de uma vaga em um grupo iniciante, logo me aproximei com a maior cara de pau. Notei que a grande dificuldade de uma banda amadora era encontrar um baterista que tivesse instrumento próprio. Não deu outra. Liguei correndo para o meu avô, que sem pestanejar me possibilitou a compra da minha primeira bateria. E foi assim que ganhei o nome artístico de Netinho. Iniciava minha carreira no conjunto The Clevers, que mais tarde mudou de nome para, Os Incríveis.

Início dos anos 60, década de oportunidades. Horizontes escancarados às novas gerações que pensavam poder modificar e revolucionar o mundo. Só que as armas às quais me refiro, não matavam, emitiam sons e melodias. Nosso armamento era a música. Nossa bandeira? A guitarra elétrica. Era tempo de PAZ e AMOR.

Eu fiz parte dessa galera.

 

Netinho
(músico – compositor – produtor – escritor)

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Netinho